quinta-feira, 25 de junho de 2009

Escola dos Annales

Os jovens historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre demonstravam bastante insastifação para com o modo político de ver a história, nas décadas de 10 e 20, pois estava claro que esse tipo de história convencional excluía, de fato, as outras estruturas que caracterizavam a sociedade. Esse modo tradicional de ver a história estava reduzindo a um simples jogo de poder entre grandes homens e países, e, assim, não correspondia aos anseios de uma humanidade que vivia, nessas décadas, momentos de desvinculações com o passado.

Havia, portanto, a necessidade de uma história mais abrangente e totalizante. Até porque, o homem se sentia como um ser cuja complexidade em sua maneira de sentir, pensar e agir, estava subjugada a um monopólio político historiográfico. Origina-se, em consequência, a ampliação do fazer desse processo, de forma que outras ciências do homem cooperam para uma análise histórica dos fatos, ampliando, portanto, a visão do homem e criando uma história interdisciplinar.

Surge, a partir dessa intenção, a maior contribuição de Bloch e Febvre para o modo do fazer historiográfico, quando, além de produzirem uma obra pessoal siginificativa, fundaram a revista Annales, em 1929, com o objetivo de fazer dela um instrumento de enriquecimento da história. Com a revista, o modo de ver a história mudou.

Esse movimento pode ser dividido em três fases. Em sua primeira fase, de 1920 a 1945, caracterizou-se por ser pequeno, radical e subversivo, conduzindo uma guerra de guerrilhas contra a história tradicional, a história política dos grandes homens e eventos.

A segunda fase do movimento, após a Segunda Guerra Mundial, mais se aproximou verdadeiramente de uma "escola", com conceitos diferentes e novos métodos, foi dominada pela presença de Fernand Braudel (o qual Febvre era mentor e considerado quase como um pai).

A terceira fase se inicia por volta de 1968 e é marcada profundamente pela fragmentação, em que muitos autores colaboram com importantes obras, demonstrando que esse é um movimento coletivo. Pode-se dizer, portanto, que nessa fase prevaleceu o policentrismo. Essa fase, onde o conceito de "Nova História" concretizou-se, foi marcada pela presença de Le Roy Ladurie, Jacques LeGoff e Georges Duby.

A história dos Annales pode, assim, ser interpretada em termos da existência de três gerações, mas serve como exemplo para ilustrar um processo cíclico comum, segundo o qual os rebeldes de hoje serão o establishmente de amanhã, transformando-se, por sua vez, no alvo de novos rebeldes.

"A historiografia jamais será a mesma!"

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